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Portões de decisão em projetos de recarga para condomínios
Instalar recarga numa garagem coletiva envolve assembleia, concessionária, rateio e obra. Dividir o projeto em fases com pacotes de decisão evita aprovar um orçamento que depois não se sustenta.
O pedido costuma chegar assim: "um morador comprou um carro elétrico e quer instalar um carregador na vaga". Em poucas semanas, a pergunta vira outra: quantas vagas o prédio comporta, quem paga a entrada de energia e como cobrar o consumo de cada um. Tratar isso como uma obra simples leva a aprovar valores que mudam no meio do caminho.
Em projetos de capital, a resposta para esse risco é dividir o trabalho em fases, cada uma terminando num portão de decisão. A metodologia FEL (front-end loading) organiza essas fases. Ela vem da indústria e funciona bem em escala de condomínio.
Fase 1: avaliar a oportunidade
A pergunta é se vale a pena seguir e em que escala. O pacote do portão reúne:
- levantamento da demanda: quantos moradores têm ou pretendem ter veículo elétrico nos próximos anos;
- capacidade disponível na entrada de energia e no quadro geral, a partir das contas e de uma visita técnica;
- restrições do prédio: distância das vagas ao quadro, rotas de eletroduto, vagas cobertas ou descobertas;
- estimativa de custo de ordem de grandeza, sem pretensão de precisão.
A decisão na assembleia é aprovar o estudo, não a obra.
Fase 2: escolher a alternativa
Aqui se comparam as soluções possíveis com o mesmo nível de detalhe:
- ponto individual por vaga, ligado ao medidor de cada unidade;
- quadro coletivo com gestão de carga (DLM), que divide a potência disponível entre os pontos em uso;
- necessidade ou não de aumento de carga junto à concessionária;
- forma de medição e de rateio do consumo.
O pacote traz uma recomendação, com custo de cada alternativa numa faixa mais estreita que a da fase 1 e as regras de uso que o condomínio precisará aprovar.
Fase 3: definir o projeto
Com a alternativa escolhida, vem o projeto executivo: dimensionamento dos circuitos conforme a NBR 5410 e a NBR 17019, especificação dos carregadores, quadro, proteções, lista de materiais, cronograma e orçamento para contratação. Este é o portão em que o condomínio aprova o investimento. O orçamento já tem precisão para virar contrato.
Execução e entrega
Depois do terceiro portão, a obra segue o projeto aprovado. Na entrega, além do teste de cada ponto, ficam com o síndico o projeto como construído, a ART, o manual dos carregadores e as regras de uso.
O que muda na prática
Cada portão limita o quanto se gasta antes de ter informação suficiente. Um estudo da fase 1 custa pouco perto de uma obra refeita porque a entrada de energia não comportava os pontos. Para o síndico, ter um documento por fase também facilita a prestação de contas à assembleia.