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Artigos / Mobilidade elétrica

DR em ponto de recarga: o tipo A basta?

A NBR 17019 exige DR individual de 30 mA por ponto de recarga, no mínimo do tipo A, e proteção contra corrente contínua acima de 6 mA. Veja onde essa proteção pode estar e os erros mais comuns no quadro.

Por Thomaz Prado, . 3 min de leitura.

Quem já orçou um ponto de recarga ouviu as duas versões: "precisa de DR tipo B, que é caro" e "tipo A resolve". As duas estão incompletas. A resposta depende de onde está a detecção de corrente contínua, e isso muda o custo do quadro.

O que a norma pede

A ABNT NBR 17019, que adapta a IEC 60364-7-722, trata dos circuitos de alimentação de veículos elétricos. Para a proteção diferencial, ela pede três coisas para cada ponto de conexão:

  • DR individual: cada ponto de recarga tem o seu dispositivo, sem compartilhar com outros pontos ou cargas.
  • Sensibilidade de no máximo 30 mA (IΔn ≤ 30 mA).
  • No mínimo tipo A, com proteção contra corrente contínua lisa de fuga acima de 6 mA.

O DR tipo AC, o mais comum em residências, não é aceito em ponto de recarga.

Por que 6 mA de corrente contínua

O carregador de bordo do veículo tem retificadores. Uma falha de isolação do lado de corrente contínua pode produzir uma fuga lisa, sem passagem por zero. O DR tipo A foi feito para correntes alternadas e pulsantes e tolera até 6 mA de componente contínua sem perder a função. Acima disso, o núcleo magnético pode saturar e o DR fica cego, inclusive para uma fuga alternada que aconteça ao mesmo tempo.

Onde a detecção de 6 mA pode estar

A exigência é de função, não de um dispositivo específico. Ela pode ser atendida de três formas:

  1. No carregador: muitos modelos têm RDC-DD interno (dispositivo de detecção de corrente contínua, IEC 62955). Nesse caso, um DR tipo A no quadro atende.
  2. No quadro, com DR tipo B: ele detecta corrente contínua lisa por si só. É a solução quando o carregador não tem RDC-DD.
  3. No quadro, com DR tipo A ou F mais RDC-DD: é o conjunto que o mercado chama de "DR tipo EV".

Antes de especificar, confira no manual do carregador se o RDC-DD existe e qual a sua faixa de atuação. Essa informação decide entre um DR tipo A e um tipo B, que custa várias vezes mais.

Erros que aparecem no quadro

  • DR tipo A sem RDC-DD em lugar nenhum. O quadro parece correto, mas a fuga contínua não é detectada.
  • DR tipo AC, A ou F a montante de um tipo B. A corrente contínua que o tipo B deixa passar, abaixo do seu limiar, chega ao DR de cima e pode cegá-lo.
  • Um DR para vários pontos. Em garagem coletiva, cada vaga com recarga precisa do seu próprio DR.
  • DR de 100 ou 300 mA usado como se fosse proteção de pessoas.

E o DPS?

Em local com acesso de público, a proteção contra surtos no circuito do ponto de recarga é obrigatória (IEC 60364-7-722, seção 722.443). Fora dele, vale a exigência geral da NBR 5410. Na ordem do quadro, o DPS fica a montante do DR, para que a corrente de surto não desarme o diferencial.

No simulador de Projeto de QDC do Radar LabTech, dá para montar o quadro, injetar uma fuga de corrente contínua de 20 mA e ver quais combinações de DR atuam.

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